Menopausa e longevidade: palestra orienta mulheres sobre saúde e autocuidado

O corpo da mulher, ao longo dos anos, passa por diferentes fases, com efeitos físicos e psicológicos específicos em cada uma delas. Uma dessas fases, ainda tabu para muitas mulheres, é a menopausa, período marcado pela última menstruação e acompanhado por uma grande queda nos níveis hormonais…

O corpo da mulher, ao longo dos anos, passa por diferentes fases, com efeitos físicos e psicológicos específicos em cada uma delas. Uma dessas fases, ainda tabu para muitas mulheres, é a menopausa, período marcado pela última menstruação e acompanhado por uma grande queda nos níveis hormonais femininos, que geralmente ocorre entre os 40 e 50 anos de idade.

Com a diminuição dos níveis hormonais, diversos efeitos passam a ser vivenciados, sendo as ondas de calor (fogachos), as oscilações de humor, as alterações no sono e a diminuição da libido apenas alguns dos mais amplamente relatados.

Reconhecer essa fase, suas peculiaridades e, principalmente, falar de forma livre sobre ela foi o objetivo central da palestra intitulada “O Novo Capítulo da Saúde da Mulher: Guia Prático para Viver Bem na Menopausa”, ministrada por Luciane Borges, pedagoga, especialista em Marca Pessoal e idealizadora da comunidade 50 Tons de Glamour, que há quatro anos organiza eventos e palestras para ensinar às mulheres as melhores práticas para lidar com os efeitos da menopausa.

A atividade foi promovida pela Escola do Legislativo da Câmara Municipal de Piracicaba e transmitida ao vivo pelo YouTube na tarde desta sexta-feira (23).

Luciane iniciou o encontro trazendo dados do Boston Consulting Group em parceria com o Fórum Econômico Mundial: embora as mulheres representem cerca de metade da população mundial, apenas 6% do investimento privado global em saúde é direcionado à saúde feminina. Cerca de 90% desse volume de investimentos, segundo a palestrante, foca em apenas três áreas tradicionais: saúde reprodutiva, saúde materna e cânceres femininos.

“É como se, a cada mil reais investidos no ecossistema global de saúde, apenas R$ 6,00 fossem direcionados às necessidades de saúde da mulher madura e à longevidade feminina. Merecemos mais!”, disse.

Apenas no Brasil, de acordo com o IBGE, 30 milhões de mulheres estão na faixa etária do climatério - a fase que antecede a menopausa, por volta dos 40 anos, marcada por oscilações hormonais, irregularidade menstrual e sintomas comportamentais e físicos - e da menopausa. Desse montante, 82% relatam impactos emocionais significativos, como ansiedade e oscilações de humor. No mundo, cerca de 1 bilhão de mulheres estão nessa fase da vida.

A baixa nos investimentos também é acompanhada por um déficit de formação específica sobre o tema, o que se reflete com frequência nos consultórios médicos. Muitos profissionais não estão devidamente capacitados para acolher e orientar as pacientes desde o climatério. Segundo Luciane, é comum ouvir de médicos o famoso "é assim mesmo, vai passar", ou mesmo a prescrição de medicamentos para depressão e ansiedade sem levar em conta que esses quadros podem ter relação direta com o declínio hormonal acentuado.

“Na época das nossas mães e avós, falava-se somente de calorão, ganho de peso e perda da libido. Hoje, pelo último levantamento da Sociedade Brasileira de Ginecologia, são registrados 78 tipos de efeitos que acontecem em nosso corpo ou mente por conta da queda hormonal. E é comum nos sentirmos perdidas, acharmos que estamos loucas. Por isso é importante falar sobre o assunto e entender que não estamos sozinhas, que tem mais gente sentindo e olhando para isso”, afirmou.

Ela acrescentou: "Não aceite o 'é assim mesmo'. Se o profissional de saúde não validar seus sintomas ou não oferecer alternativas de suporte, você tem o direito e o dever de buscar uma segunda opinião".

Tabus e foco na longevidade - Ainda de acordo com a especialista, é preciso que o olhar dos médicos e das mulheres no climatério ou na menopausa seja voltado para a longevidade e a qualidade de vida no presente e no futuro: “Eu tenho que viver bem esse momento. Eu mereço estar bem, ter bem-estar e me conhecer. Para alcançar essa longevidade saudável, com propósito, preciso passar por uma transformação. Automaticamente, quando entramos nessa fase, o mais visível é a transformação no nosso corpo. Mas também temos que entender a transformação que precisamos promover internamente para passar por este momento de forma tranquila, assim como em qualquer outra fase”.

Segundo Luciane, a transição para a menopausa carrega estigmas históricos ligados ao envelhecimento, como o fim da feminilidade, a perda do charme e da vitalidade, a invisibilidade social e a ideia de que o sofrimento e a vulnerabilidade são inevitáveis, como se essa fase fosse um período unicamente de dor e mau humor.

Para ela, é indispensável que essas crenças e mitos sejam derrubados, já que a maturidade, hoje, é vivida por mulheres ativas, com projetos profissionais e pessoais em pleno andamento. A preservação da vida íntima, do prazer e da autonomia no trabalho são direitos que não devem ser anulados pelo preconceito cultural sobre o envelhecer.

Para compreender essas mudanças físicas e psicológicas, além de conversar abertamente sobre o tema e buscar ajuda de ginecologistas, endocrinologistas, cardiologistas e outros profissionais da saúde, é igualmente indispensável praticar atividades físicas, adotar uma alimentação funcional, buscar um sono de qualidade e avaliar, junto aos médicos, o uso de medicamentos fitoterápicos ou de reposição hormonal.

"Preste atenção ao seu corpo, às emoções e, principalmente, à alimentação e ao sono. A atividade física também é essencial. E a alimentação deve ser mais funcional do que emocional. É algo para ficarmos antenadas. Movimento e nutrição, para nós, na menopausa, são iguais ao ar que respiramos”, resumiu.

“Foi um verdadeiro presente essa atividade, trazendo todos esses dados e esse olhar que precisamos ter para conosco. Nem sempre isso é possível, mas temos que parar para respirar e para pensar na gente”, disse a vereadora Silvia Morales (PV), do mandato coletivo A Cidade é Sua e conselheira da Escola do Legislativo, no encerramento da palestra.

A atividade desta sexta-feira terá continuidade em uma segunda palestra com Luciane Borges, agendada para o dia 28 de outubro, às 14 horas, também de forma on-line, com dicas ainda mais focadas em práticas voltadas ao bem viver na menopausa.